Cap. 4 - Sad e Alia

NOSSO PATRIARCA

SAD RAYES ou ALFREDO RAYES como era chamado no Brasil, nasceu em Hasbaya no Líbano em 1883, filho de Elias Rayes e Hasma Rayes.

Seus irmãos:

Youssef Rayes ou José Rayes como era chamado no Brasil, nasceu em 1892 em Hasbaya/Líbano, foi casado com Lâmia Arraid Rayes e pai de: Wady, Fuad, Elias, Julieta, Eduardo, João e Cecília.

Mohanna Rayes ou Manoel Rayes, nascido em 1893 em Hasbaya/Líbano, faleceu em 20/02/1947, foi casado com Adma Rayes e pai de: Feres, Chafik, Abibe, Nassif, Najla e Odete Rayes.

1910

Alguns amigos e parentes de Sad já tinham emigrado para a América (Amerik) destino: o Brasil onde conseguiram se estabelecer e prosperavam.

Assim Sad, com 20 anos de idade, influenciado pelo exemplo dos amigos e parentes deixa a pequena Hasbaya e parte para o Brasil em busca de uma vida melhor, sua rota: Hasbaya/Beirute/Genova (Itália) e depois de 40 dias navegando chega ao seu destino: Rio de Janeiro.

 

 

Chegando ao Rio de janeiro Sad foi recepcionado pelos seus conhecidos, foi morar na casa de um deles dividindo as despesas, até encontrar um local para morar.

Começou a trabalhar em uma loja de armarinhos e tecidos de um patrício, trabalhou por pouco tempo... logo que aprendeu as primeiras palavras em português começou a mascatear.

No Brasil Sad era chamado de Alfredo.

“O MASCATE”

“Por onde passa o exército, chega à barbárie.

Por onde passa o comércio, chega à cultura.

O mascate leva, nas suas costas, os livros, as gravuras, os pigmentos para pintura, papel e tinta, os remédios e as notícias do mundo e dos vizinhos.

Nosso mascate se alonga além das fronteiras de laranjeiras, da Cidade Velha e percorre todos os caminhos.

Vamos mostrar a mercadoria do mascate”.

(João do Rio - pseudônimo de João Paulo E. C. dos Santos - jornalista, cronista, tradutor e teatrólogo - Rio de janeiro 1881-1921).

A vida de mascate não era nada fácil, malas pesadas nas mãos, fazendo caminhos por onde não passa nenhum caminho, chuva, sol, frio, calor em um lombo de burro, charrete e a pé e nem sempre bem recebido, às vezes até temido no interior paulista corria um boato que “turco comia criancinhas” estória inventada pelos donos de pequenas vendas que temiam a concorrência dos mascates.

Os mascates também eram chamados de “turco da prestação” vendiam a prazo para vender mais e tudo era anotado em cadernetas, anotações como “mulher da perna grossa”, ”mãe da menina de olho azul”, ”senhora de cabelos brancos da casa amarela” etc. eram comuns por dois motivos: achavam mais fácil guardar as características das pessoas do que o nome e também “segredo comercial” se outro mascate concorrente pegasse a caderneta não saberia identificar a clientela.

E, lá vai Sad mascatear... duas enormes e pesadas malas repleta de rendas, bordados, linhas, corte de tecidos etc. se aventurando pelo interior do Rio de Janeiro.

Forte, sorridente, simpático uma pessoa amável tinha facilidade para vender... vendia tudo... voltava ao Rio acertava as contas com os fornecedores (atacadistas) e enchia as malas com encomendas e novidades e rumava para o interior novamente.

Formou uma boa clientela, sério nos compromissos e com vendas crescentes logo foi disputado pelos fornecedores, prosperava e tinha certeza que não voltaria mais para o Líbano, com algum capital acumulado tomou duas decisões... mudou-se para uma casa no bairro de Inhaúma, zona norte do Rio e resolveu se casar,costume na época os casamentos já eram acertados desde os tempos de criança assim sua esposa já estava escolhida: sua prima Alia Rayes.

Em 1912, Alia Rayes chega ao Brasil e se casa com Sad.

NOSSA MATRIARCA

ALIA RAYES nasceu em Hasbaya no Líbano em 1891, filha de Kalil Rayes e Sada Rayes.

 

Seus pais:

Kalil Rayes: nasceu em Hasbaya/Líbano por volta de 1865 e migrou com a família para o Brasil e faleceu em Jaú/SP.

Sada Rayes: nasceu em Hasbaya/Líbano em 1865 e migrou com o marido e filhos para o Brasil e faleceu em 1963 aos 98 anos em São Paulo/SP.

 

 

Seus Irmãos:
Assad Rayes ou Antônio Rayes como era chamado no Brasil nasceu em Hasbaya/Líbano migrou para o Brasil em 1919 (ano aproximado), morou e trabalhou no Rio de Janeiro onde foi proprietário de uma loja de tecidos casou-se com Henaine Atique e mudaram-se para Jaú/SP, depois para Barra Bonita/SP e finalmente para Iguaraçu do Tietê/SP onde a família foi proprietária de um tradicional armazém de secos e molhados tiveram três filhos: Calil, Michel e Alice Rayes.

Casal Assad e Henaine Rayes

 

O casal com os filhos: Alice, Michel e Calil (da esquerda para a direita)

 

Salim Rayes nasceu em Hasbaya/Líbano migrou para o Brasil, casou-se e teve um único filho Adib Rayes (já falecido).

 

Salwa Rayes nasceu em Hasbaya/Líbano migrou para o Brasil com a família e voltou para Hasbaya.

Alia e Salwa Rayes

 

Mansur Rayes: nasceu em Hasbaya/Líbano, migrou para o Brasil, viveu e faleceu no Rio de Janeiro/RJ solteiro e sem filhos.

 

Chafik Rayes: nasceu em Hasbaya/Líbano e migrou com a família para o Brasil, morou em Itápolis/SP e mudou-se para São Paulo/SP empresário foi sócio fundador (com o irmão Taufic) da tradicional fábrica de lenços Rayes & Cia fabricante dos lenços Cacique, casou-se com Argentina Kudse Rayes e tiveram dois filhos: Chafik Rayes Júnior e Helena Rayes.

Chafik e Argentina Rayes

 

Taufic Rayes: nasceu em Hasbaya/Líbano e migrou com a família para o Brasil, morou em Itápolis/SP, mudou-se para São Paulo onde foi sócio fundador (com o irmão Chafik) da fábrica de lenços Rayes & Cia (lenços Cacique) empresa situada no bairro paulistano do Ipiranga, casou-se com Agany Samahia e tiveram cinco filhas: Salwa, Lamisse, Laila, Magda e Elizabeth.

Taufic e Agany Rayes

1913

Com três anos de experiência e capital acumulado em estoque, com bom crédito Sad abre sua primeira loja um pequeno varejo de armarinhos na zona norte do Rio.

1914

Nasce no Rio de Janeiro/RJ em 19 de dezembro de 1914 o primeiro filho do casal: Elias Rayes.

Rio de janeiro anos 1910

1915

O resultado da loja não foi o esperado por Sad seu capital diminuiu voltar a mascatear estava foras de seus planos assim Sad resolveu mudar de cidade foi morar em Barra Bonita/SP onde tinha parentes e amigos que se estabeleceram e prosperavam.

Morando em Barra Bonita/SP, voltou a mascatear para melhor conhecer a região, viajava com frequência para São Paulo onde tinha novos fornecedores atacadistas da região da Rua 25 de Março.

Esquina da Rua 25 de Março com Ladeira Porto Geral em 1915/16

1917

Nasce em Barra Bonita/SP em 15 de fevereiro de 1917 o segundo filho do casal: Diamil Rayes.

Barra Bonita

1919

Nas suas viagens achou que a cidade de Nova Europa/SP era um bom local para se estabelecer, mudou-se para lá, abriu uma loja de armarinhos.

Nasce em Nova Europa/SP em 10 de dezembro de 1919 o terceiro filho do casal, a primeira mulher: Genny Rayes.

Nova Europa

1920

O mercado de Nova Europa não era grande o suficiente as pessoas viajavam para Itápolis/SP para fazer as compras.

A colônia árabe em Itápolis era grande, moravam na cidade as famílias: Batlouni, Chammas, Bucalem, Atique, Abdelnur, Haddad, Feres e Lutaif assim o comércio estava se desenvolvendo bem e Sad resolveu mudar para Itápolis onde abriu nova loja de armarinhos e tecidos.

Nasce em Itápolis/SP em 09 de setembro de 1921 a quarto filho do casal, a segunda mulher: Violeta Rayes (embora registrada com nome de Violeta era chamada de Angel).

Itápolis

1922

Bem sucedido em Itápolis/SP Sad achou que era hora de mudar para uma grande cidade, volta a morar no Rio de Janeiro/RJ no bairro de Inhaúma na rua Padre Januário, 111.

Em 07 de setembro de 1923 no Rio de Janeiro nasce o quinto filho do casal Sad e Alia: Mansur Rayes.

Mansur Rayes

 

Estação de trem de Inhaúma inaugurada em 23/08/1898 desativada em 1968
(foto Arquivo Nacional/Correio da Manhã)

1925

Sad muda com a família para Barra Bonita/SP novamente, com bom capital acumulado, crédito junto aos atacadistas de São Paulo/SP e Rio de Janeiro/RJ ele viu na cidade uma oportunidade para crescer mais rapidamente e diversificar os negócios.

Abre sua maior loja de tudo um pouco: tecidos, armarinhos e até secos e molhados... seu filho mais velho Elias com 12 anos já o ajudava na loja.

João Rayes (esq.), Mansur Rayes (centro) e Feres Rayes (em pé) em Barra Bonita - ano 1924/25.

1926

Nasce em 09 de setembro de 1926 em Barra Bonita/SP o sexto filho do casal: Nassif Rayes.

Ponte Campos Sales - Barra Bonita/SP

Mansur e Genny em Barra Bonita em 1926.

1929

Os negócios não estavam saindo como o esperado, prejuízos eram constantes Sad volta a mascatear os Filhos Elias e Diamil cuidavam da loja enquanto Sad mascateava e “CRASH” com a quebra da bolsa de Nova York as exportações de café, o motor da economia brasileira na época, travam os reflexos foi queda de renda, desemprego e inadimplência.

Sad vendia muito a prazo... não recebeu...

1930

A saída foi mudar-se novamente, para Itápolis/SP, onde parentes da Alia moravam na época.

Sem dinheiro, na fase financeira mais difícil foram morar em um bairro rural de Itápolis: Monjolinho.

Uma igrejinha e 16 casas... Assim era Monjolinho em uma casa térrea de esquina com uma sala, cozinha, dois banheiros e quatro pequenos quartos acomodou a família.

Sad volta a mascatear os filhos mais velhos Elias e Diamil ajudavam o pai nas viagens, compras etc. e depois no armazém de secos e molhados que abriu no bairro.

Foi um tempo difícil, porém um dos mais felizes, nós da segunda geração crescemos ouvindo histórias de Monjolinho todas felizes e que deixaram muita saudade nos irmãos (as).

Unidos, trabalhando muito, a família se recupera financeiramente e depois de 03 anos de Monjolinho só restou boas lembranças, mudaram-se para o centro em Itápolis/SP.

Monjolinho

1933 a 1942

Moram e trabalham em Itápolis, nova loja aberta, Sad continuava a viajar para São Paulo/SP com frequência.

Mansur no tiro de guerra em Itápolis/SP em 1941

 

Nassif nos anos 1940

1943

A família se recupera financeiramente, unidos, focados com vontade de trabalhar e vencer decidem mudar para uma cidade grande onde as possibilidades de empregos eram maiores, destino: São Paulo/SP, residência: Vila Mariana e trabalho: Rua 25 de Março.

Elias e Diamil trabalham como representantes comerciais, vendendo meias, armarinhos, gravatas etc. de atacadistas da região das 25 de Março, Mansur começa a trabalhar na loja Kalil A. Trabulsi fundada pela família Trabulsi em 1922 na Rua 25 de Março e Nassif começa a trabalhar na famosa loja União das Rendas de propriedade do Sr. Salvador Hannud, também na 25 de Março.

 

Esquina da Ladeira Porto Geral X Rua 25 de Março em 1940 - foto por Hildergard Rosenthal

 

Sr. Salvador Hannud, proprietário da loja União das Rendas, primeiro e único patrão do Nassif Rayes (foto do livro "25 de Março - Memória da Rua dos Árabes").

 

Depois de uma semana de trabalho intenso na 25 de Março, os irmãos Mansur e Nassif costumavam descer para o litoral com seus amigos no final de semana. Santos/SP nos anos 1940

1949

Em 07/01/1949, aos 65 anos, Sad Rayes falece.

Sad Rayes

Sad ou Alfredo Rayes como era mais conhecido no Brasil foi um desbravador, veio do Líbano com 20 anos de idade, aprendeu a língua portuguesa, trabalhou muito, teve altos e baixos, nunca se entregou sempre viveu com coragem e otimismo, formou uma família unida e feliz.

Se fossemos contar as histórias de Sad preencheríamos no mínimo umas 30 paginas com histórias divertidas como a compra do primeiro automóvel que logo na estréia Sad bateu em um barranco... resolveu contratar um motorista- Benedito - e orgulhoso levava toda a família para passear, e falava "– Acelera Benedito!" satisfeito com o desempenho dizia: "– Motor bosante (possante), carro sólido!"... quando chovia, segundo relatos, caia mais água dentro do carro do que fora e depois de dois meses de uso o motor (bosante) fundiu...

Ou, quando chegou feliz em casa com uma caixa embaixo do braço e reuniu os filhos para adivinhar o que ele tinha comprado e, deu umas dicas: era um enfeite, um animal grande e forte,que traria sorte e que começa com a letra “Le”... os filhos pequenos na época não tiveram dúvidas e falaram:

- “Leão”

Sad respondeu “- Não!” e abrindo a caixa todo orgulhoso mostrou o objeto e disse:

- "Lefanti!!

O “lefanti” do Sad ficava na loja dos filhos (Irmãos Rayes Ltda), no escritório do mezanino com o traseiro voltado para porta como manda a lenda para trazer sorte e trouxe muita sorte!

Frases do Sad:

“Bata seu martelo e faça sua defesa!”

“Não recue, mantenha firme sua posição!”

“Seja honesto honre seus compromissos!”

Sad Rayes nos deixou um grande exemplo de trabalhar com coragem e otimismo sempre.

1950

Após a morte de Sad a família mudou-se para o bairro do Paraíso em São Paulo/SP, aliás a casa do paraíso foi o primeiro imóvel que a família adquiriu.

1951

Na casa do paraíso, Alia reuniu os filhos em um almoço de domingo para um assunto especial:

Ela achava que com a experiência que tinham no comércio com a coragem herdada do pai, o gosto pelo trabalho e a vontade que tinham de progredir era hora dos quatro irmãos se unirem e abrirem o próprio negócio.

Alia citou várias famílias tradicionais estabelecidas na 25 de Março que enfrentaram os riscos e adversidades dos negócios e prosperaram formando um bom patrimônio.

Encorajados pela mãe os irmãos Elias com 37 anos, Diamil com 34, Mansur com 28 e Nassif com 25, fundaram em 01/02/1952 a Irmãos Rayes em um pequeno sobrado na Rua 25 de Março, começando então a nossa história no comércio atacadista da Rua 25 de Março.

E a vida da família Rayes começa a mudar seu rumo...

Atualizado em 20/08/2018

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